segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Não falo só de chinelos

Meu chinelo não serve mais pra mim, ele está até meio desbotado, confesso. É sempre bom ir à loja pra comprar outro novo, escolher o da moda, escolher o que se adéqua a você, o que é ideal. Ou no caso da minha mãe (coitada!), se limitar no tamanhozinho do seu pé, um simples 34. É sempre esse novo que eu juro lavar todos os dias e tomar o máximo de cuidado com ele, pra que ele dure, se não pra vida inteira, pelos menos por um bom tempo. Adoro chinelos. Cada um uma personalidade, cada um uma cara, um jeito, uma cor, um detalhe. Mas é contraditório, porque eu mesma, não tenho muitos...consigo contar nos dedos os do meu armário. E dentre esses tão poucos, é impossível não ter um favorito, um que eu leve em todas as viagens, e o use mesmo quando um outro combina mais com a roupa que eu estou usando. Impossível porque tem sempre um que te conforta mais do que os outros, que te deixa mais a vontade, um que ta ali perto do seu pé toda hora, quando sua mãe já gritou pra você guardar ele á horas. Aquele todo fofo, que você não quer que ninguém use, e quando uma amiga fala já calçando o chinelo “Que lindo, posso experimentar?”, você só mexe a cabeça fazendo que sim e olha pra ver outro pé calçando a-q-u-e-l-e seu preferido, ou as vezes nem olha, de ciúmes; Afinal, vai que fica melhor no pé dela? Ou eu estou louca e ninguém faz isso!? Não é egoísmo, é amor. Minto, é egoísmo, mas é amor também. O fato é que ter um chinelo preferido é do meu cotidiano, e faz um bom tempo que ele fica fora da sapateira dia e noite, sendo trocado algumas vezes por necessidade gritante de combinação. Porém, com o passar dos meses, e deste em especial, alguns anos, meu chinelo roxo com listras foi se desgastando, até um dia em que percebi o quanto era cansativo ficar com ele o dia todo, diminuindo portanto, a freqüência que eu calçava-o. No início aproveitei algum descanso pois calçava um dos outros, ainda novos, que ficavam sempre tão guardados na sapateira, mas depois comecei a perceber que só aquele chinelo eu podia jogar no chão, calçar e falar “to pronta, vamos?”, e eu nem sei o porquê disso. Mas meu chinelo, embora esteja desgastado, ainda está em bom estado, só não é mais ideal pra mim, é ideal para outra pessoa. Aliás, ganhei um novo esses dias, vou tentar aproveitá-lo ao máximo, e não vou pensar que nenhum chinelo fica pra sempre, apenas aqueles bem lavados e guardados. E não vou pensar que nenhum amigo fica pra sempre, apenas aqueles bem tratados e guardados...

2 comentários:

Malú Azzoni disse...

E há ainda aquele chinelo, que serve certinho e, apesar de não estar sempre no meu pé, é um dos meus preferidos.
As boas metáforas são a salvação da humanidade, você não acha Nii? hahaha
Liindo o texto.

Leticía Gomes disse...

oi ni (:
foi uma grande analogia com a amizade, né? bom, foi pra mim, hihihi
nossa fazia muito tempo que eu nao lia o seu blog. achei que foi muito bem escrito.
agora vou ler o de ciiima